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Hong Kong remove escultura em homenagem a vítimas

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A universidade mais antiga de Hong Kong iniciou nesta quarta-feira, 22, a remoção de uma escultura em memória das vítimas da Praça da Paz Celestial de Pequim, no mais recente revés às liberdades da cidade.
A escultura, chamada Pilar da Vergonha, de oito metros de altura e obra de Jens Galschiot, estava no campus da Universidade de Hong Kong (HKU) desde 1997, ano em que a ex-colônia britânica foi parcialmente devolvida à China pelo Reino Unido.
“A decisão sobre a estátua envelhecida foi baseada em aconselhamento jurídico externo e em uma análise de riscos para o melhor interesse da universidade”, explicou a instituição. 
Em outubro, funcionários da instituição ordenaram a remoção da escultura, que retrata 50 rostos angustiados e corpos dilacerados empilhados uns sobre os outros. A obra é uma homenagem aos manifestantes pró-democracia mortos por tropas chinesas em 1989.
Lâminas de plástico foram colocadas sobre o monumento que também foi cercado por barreiras. Um jornalista ouviu ruídos de ferramentas, o que pode significar o transporte da obra.
Seguranças impediram a aproximação dos jornalistas. Procurada pela AFP, a universidade não quis comentar o assunto. 
Para Galschiot, é “estranho” e “chocante” que a universidade se prepare para retirar a obra, que segundo ele, continua sendo de sua propriedade. “É uma escultura muito cara. Então, se a destruírem, é claro que irei processá-los”, disse à AFP.
Durante anos, Hong Kong foi o único lugar na China onde tolerou-se a lembrança do massacre de Tiananmen – o que ocorria a cada 4 de julho com vigílias – e havia um museu em homenagem às vítimas.
Sob o argumento da crise sanitária e por razões de segurança, após as grandes manifestações pró-democracia de 2019, as vigílias de Tiananmen de 2020 e 2021 foram proibidas. Seus organizadores foram perseguidos, e o museu que administravam, fechado.