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Após as chuvas, produtores amargam prejuízos

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O governo do estado, por meio da Secretaria da Agricultura, está investindo cerca de R$ 40 milhões na compra de 60 maquinários que serão entregues a prefeituras municipais e consórcios para ajudar na reconstrução de estradas e ramais (vicinais) destruídos pelas chuvas que vêm atingido diversas regiões da Bahia, desde pelo menos 23 de dezembro. Serão adquiridos equipamentos, como rolo compactador, escavadeira hidráulica, pá carregadeira e motoniveladora.  
O objetivo é restaurar acessos para o apoio ao escoamento da produção, e assim mitigar os impactos causados a produtores rurais. Estima-se que 20% de todo leite produzido na região sul do estado tenha se perdido no período, algo em torno de três a cinco milhões de litros. Os dados são do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Leite da Bahia (Sindileite). De acordo com o vice-presidente da entidade, Lutz Viana Rodrigues Junior, cerca de 1,2 mil propriedades foram afetadas.  
Sócio do Laticínios Davaca, Lutz lembra que os temporais na Bahia ocorreram em dois momentos: primeiro, a partir do dia 23, atingindo cidades do extremo-sul, como Ibirapuã, Itamaraju, Itabela, Jucuruçu, Medeiros Neto, até a divisa com o Espírito Santo; depois, já próximo do Ano Novo, alcançando o sul e o baixo sul, e municípios, como Ilhéus, Itabuna, Itacaré, Camamu, Itaberaba, Jequié, Jitaúna.  
Lutz destaca ainda que foram prejudicadas também plantações de café, frutas, tomate, alface – “a maior parte produtor da agricultura familiar, que sofre mais”, diz. Mas conta que a mais afetada foi mesmo a produção de leite, “porque juntamente com as enchentes houve problema também com o fornecimento de energia”.  
Algumas localidades, segundo o empresário e dirigente, ficaram até oito dias sem eletricidade. “Depois disso seguiram-se outros dias de energia intermitente, a concessionária com resposta padrão dizendo que estava realizando atendimentos de emergência. Foram mais de três dias trabalhando com os geradores 100% ligados”, afirma.  
“Isso porque o leite já estocado estraga. O segundo ponto é que, mais para o extremo-sul, estradas ficaram literalmente intransitáveis, seja no acesso entre a sede e cidades, seja em alguns distritos, onde os casos são mais graves”.  
Ele explica que o Sindileite atende mais de quatro mil produtores na região sul (70%), e que no momento entre 700 e 900 estão sem conseguir escoar a produção. O jeito tem sido deixar que os bezerros mamem mais do que o comum, como forma de reduzir o prejuízo, afirma. Toda essa logística de coleta de leite na região envolve mais de 70 veículos e 100 funcionários.  
Lutz afirma ainda que, desde que começou a estiagem, do dia 2 para cá, prefeituras começaram a trabalhar na reconstrução das estradas que dão acesso às sedes, e até a distritos, mas que muitos dos ramais (estrada de barro que dão acesso às propriedades rurais) estão ilhados (com água empoçada), e conta que a situação é crítica em cerca de 20% de Itabuna.  
“O grande problema é que nas estradas vicinais as prefeituras não estão tendo condições e recursos para fazer a normalização. Agora, já há sete, oito dias sem chover, que em algumas localidades de Itabuna a coleta foi normalizada, mas alguns ramais continuam há mais de 15 dias sem recolha de leite. Falta infraestrutura, várias outras regiões enfrentam a mesma situação, é uma realidade”.  
Mensurar estragos
Presidente da Associação dos Produtores de Café (Assocafé), João Lopes Araujo conta que a áreas mais afetada foi mesmo a do sul do estado, mas fala que os cafeicultores, a título de comparação, foram menos prejudicados do que quem planta, por exemplo, tomate, alface, legumes, “culturas que aguentam menos as chuvas”, diz. Ele também diz que a recuperação dos ramais (estrada de chão batido) é a principal demanda dos produtores, e destaca a preocupação da Seagri em procurá-los, para mensuração dos estragos.  
Por meio da assessoria de imprensa, a Seagri informou que, entre outras ações, aderiu à campanha “Bahia Estado Solidário” para arrecadar doações e distribuir entre os desabrigados das chuvas. Outra frente de articulações da pasta é junto às instituições financeiras, no sentido de tentar facilitar o acesso às linhas de créditos destas instituições para os produtores rurais.  
Com relação a números relacionados às perdas econômicas, a Seagri informou que ainda não é possível mensurar, “pois é muito recente, no entanto, já foi possível identificar que as perdas (mais significativas) foram nas culturas de ciclos curtos, no extremo-sul; hortifrutigranjeiro, na região de Jaguaquara; e na cadeia produtiva do leite”.