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Editorial – O enigma da internet

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Quando os militares do programa Arpanet, empenhados em ampliar o sistema de defesa dos Estados Unidos, a comunidade científica e os jovens libertários do Vale do Silício, criaram os dispositivos inovadores da internet, não imaginavam a utilização da rede mundial para disseminação de conteúdos falsos em tão larga escala, substituindo o sonho de um mundo melhor pela via da produção de conhecimento, a verificar agora, em mais um exemplo de aplicação nociva do invento revolucionário, tendo os recursos do Telegram como inimigos da verdade.
Atento ao princípio de aversão à mentira, o Tribunal Superior Eleitoral programou uma reunião para discutir o uso do aplicativo, a fim de avaliar se a liberdade de distribuição de opiniões e ideias, de forma nem sempre responsável, pode prejudicar os usuários com as chamadas ‘fake news’, considerando o bloqueio do sistema como uma opção viável, para conter o efeito danoso da disseminação de informações não confiáveis. 
É missão da corte impedir a estratégia de influenciar cidadãos a partir de mensagens de intencionalidade nociva, como ficou comprovado, na campanha de Donald Trump nos Estados Unidos, e no plebiscito pelo Brexit, removendo o Reino Unido da União Europeia: as  tecnologias criadas para produzir melhor convívio em escala planetária foram capturadas por grupos estranhos aos princípios de veracidade, atualidade, importância e interesse social, passando a condição de instrumentos de ataque às democracias. 
A característica orgânica ao funcionamento de todo e qualquer programa em rede tem sido um obstáculo difícil de ser vencido, embora atenuantes possam ser obtidas por meio da Lei Geral de Proteção aos Dados.
Como a arquitetura da www é horizontal, sem controle ou comando capaz de dirigir ou regular a comunicação, instantânea e veloz, torna-se um desafio a fiscalização; por outro lado, há quem utilize o mecanismo de forma saudável, daí o impasse, pois a medida de proibição poderia prejudicar milhões de usuários habituados ao app.