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Eleições e alta dos juros são principais fatores de incerteza

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Depois de experimentar um boom em plena pandemia, com recorde no número lançamentos, o mercado imobiliário volta a ter pela frente um ano de incertezas. Os desafios em 2022 passam pela  queda na renda, alta da inflação, crédito habitacional mais caro, entre outros.
De acordo com pesquisa realizada pelo coletivo Amazonita Clube, núcleo estratégico do grupo Mulheres do Imobiliário, os temas que mais preocupam e devem dominar a pauta do setor este ano são a disputa eleitoral e a disparada dos juros básicos da economia (Selic).  
Os dois assuntos foram apontados como os mais relevantes, por, respectivamente, 58,2% e 61,2% dos 67 entrevistados na enquete.  
Os outros mais citados foram velocidade da retomada econômica (36%); volume e condições de concessão do crédito habitacional (30%); impactos da pandemia sobre Covid-19 no mercado (24%); e a retomada de atividades presenciais (24%).    
Em meio aos obstáculos, contudo, quase metade dos participantes do estudo diz que o mercado imobiliário vai crescer. 40% acham que de forma moderada, 7,5% de maneira “intensa”. Os menos otimistas acreditam em contração (24%).  
Integrante do “think tank” Amazonita Clube, Andrea Oliveira, diretora da Marquise Incorporações, se mostra confiante e diz que o mercado deve seguir “aquecido pelos lançamentos de anos anteriores, construindo obras, gerando empregos e renda”. Segundo a página  do Amazonita Clube na internet, a associação é um centro de reflexão e proposição de ideias para discussão dos temas mais importantes do setor imobiliário.
“O setor aprendeu com a crise passada, está atento aos custos, desenvolvendo produtos e atendendo as necessidades dos clientes, de forma que (os preços) caibam no orçamento de cada nicho. Então, deve continuar aquecido, com tendência de estabilização do crédito imobiliário”, fala Andrea.  
Esta semana, o presidente da Caixa Econômica Federal afirmou que não espera mais aumentos dos juros do financiamento de imóveis por parte do banco. Segundo ele, os reajustes que precisavam ser feitos já ocorreram em 2021, e as condições de mercado permitem a estabilidade das taxas.  
Ainda de acordo com o levantamento do Amazonita Clube, os segmentos que devem oferecer maiores oportunidades de negócios e investimentos em 2022 são o residencial (57%); o de galpões e condomínios industriais e logísticos (51%); além de fundos de investimento imobiliário (43,3%); e os loteamentos (30%).   

 
Tendências para 2022
Já as principais tendências do setor este ano, segundo os gestores de empresas entrevistados (77,6% de mulheres) no estudo, serão a consolidação dos formatos de produtos imobiliários impulsionados pela pandemia (65,7%); o aumento da demanda por espaços de trabalho flexíveis e mais próximos às casas dos colaboradores (45%); e a continuidade no avanço da digitalização do setor (43,3%).
Atualmente desenvolvendo o empreendimento Terraço Cabula – dois e três quartos com suíte –, o sócio da BRL Incorp, Rafael Rios, reconhece tratar-se de um ano decisivo politicamente, mas diz apostar na demanda por moradia, e no fato de que, “historicamente, imóvel é uma excelente opção para proteção inflacionária, além de sempre entregar boa valorização real no longo prazo”. “É fato que o ano eleitoral e de incertezas políticas afetam toda a economia, visto todo impacto que tivemos em câmbio e inflação, tendo por consequência o amargo remédio da subida dos juros”, afirma.  
 

“Porém, é fato também que o brasileiro entende o imóvel como uma grande reserva de valor para estes cenários mais incertos. O imóvel é também algo planejado para um horizonte longo, dentro do planejamento de vida e formação das famílias, algo que dificilmente é tão afetado em anos pontuais”.

 
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção na Bahia (Sinduscon), Alexandre Landim, independente de questões política ou econômicas, “a construção civil tem grande potencial de crescimento para 2022”. 
“No segmento de obras imobiliário estamos construindo os empreendimentos lançados em 2021 que, apesar da pandemia, obtiveram vendas acima das expectativas, principalmente no médio e alto padrão”.
“E no de obras públicas, a expectativa também é muito boa, além dos serviços sistêmicos usualmente contratados pelas administrações estadual e municipais em nosso estado, estamos atravessando um momento extremamente promissor em decorrência dos projetos de médio a grande porte em curso, grandes geradores de emprego e renda”, diz ele, citando como exemplos, o trecho 3 do Metrô, a Nova Estação Rodoviária, e a Ponte Salvador – Itaparica.
“Temos um déficit habitacional importante que impacta no setor e no desejo das pessoas por moradia de qualidade. Para 2022, estamos preparando lançamentos de novas linhas de produtos e expansão da atuação do grupo na Bahia”, conta o diretor comercial da MRV, Alessandro Almeida.