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Procura por testes gera risco de escassez

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Com um crescimento de 700% no número de positivados para Covid-19 na Bahia, de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), as filas para testagem nos postos de saúde, farmácias e laboratórios de Salvador continuam a crescer. “Em uma cidade com quase 3 milhões de habitantes, que tem suas restrições flexibilizadas e com uma variante contagiosa como a ômicron, é natural que esse número cresça. Ao menos ela tem levado poucas pessoas ao estágio grave da doença”, explica Ivan Paiva, coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).Coordenador de testagem da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Sérgio Medrado afirma que são feitos em média 80 a 100 testes de covid-19 por dia em cada uma das 40 unidades de testagem divididas entre os 12 distritos sanitários da capital. “A nossa recomendação é que apenas aqueles com sintomas façam o teste. Os mais comuns são febre, dor de cabeça, tosse, coriza, congestão nasal, dores musculares, distúrbios olfativos ou gustativos, fadiga, vômitos e diarréia”, lista Medrado.
Porém, a farmacêutica Maria Fernanda de Oliveira Brandão, responsável pelo Centro de Informações sobre Medicamento (CIM) do Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia, alerta que, nesse momento de tendência crescente de casos, é preciso priorizar. “É prudente e recomendado pela OMS que sejam adotadas medidas para a priorização e racionalização dos testes diagnósticos da Covid-19, assegurando o suprimento e a disponibilidade adequada desses testes para vigilância epidemiológica e atenção hospitalar”, diz. E a preocupação pela possível falta de insumos já tem surgido. As unidades de saúde dos municípios estão abastecidas, já que o Ministério da Saúde encaminhou à Sesab mais de 50 mil testes na última semana, mas a alta demanda tem preocupado a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), já que o aumento de testes força a capacidade de produção de insumos e reagentes.
“Não é possível mensurar nesse momento até quando poderemos atender, mas há um risco real de desabastecimento”, disse, em nota, Wilson Shcolnik, presidente do Conselho da Abramed, que recomenda aos laboratórios priorizar a testagem em pacientes graves, trabalhadores da saúde e outros profissionais essenciais. 
EstabelecimentosE ainda há outros fatores que podem interferir na logística dos laboratórios para atender a crescente demanda. A rede de laboratórios CLAB, por exemplo, tem insumos presos na alfândega por causa da operação padrão da Receita Federal.“Temos alguns reagentes que estão presos na alfândega, então às vezes precisamos falar com um outro fornecedor para continuar realizando os testes e manter as marcações, mas já houve casos em que tivemos que remarcar os pacientes para o dia seguinte”, explica o proprietário da rede de laboratórios, Clóvis Figueiredo, que realiza testes em domicílio e nas unidades da Cidadela, Barbalho, Imbuí e Itinga.Ele ainda conta que o número de testes quase triplicou de dezembro de 2021 para janeiro de 2022. “E assim fez o número de positivados. Hoje cerca de 50% das pessoas que realizam o exame testam positivo para Covid-19”, afirma.Mas a situação é ainda mais alarmante nas farmácias. Segundo Verônica Serretti, gerente regional do grupo DPSP – responsável pela Drogaria São Paulo no Nordeste, a procura por testes de covid, em especial do tipo antígeno Swab, aumentou em 601,99% na Bahia e 265,48% em Salvador.“Isso é devido principalmente à disseminação da variante ômicron e à gripe influenza H3N2. Para suprir essa grande procura pelos testes, reforçamos o quadro de farmacêuticos em lojas onde se realizam os exames, e, além disso, estamos atendendo clientes além do agendamento, para garantir a testagem de toda a população que nos procura”, afirma a gerente. Em Salvador, as unidades da drogaria que realizam os testes são: Jardim Apipema, Candeal, Canela, Costa Azul, Pituba (Rua das Hortênsias) e Mares.T