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Editorial – Escravidão ancestral

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Um dos mais antigos hábitos da espécie humana, desde as primeiras civilizações, registra na Bahia um dos maiores crescimentos dos últimos anos: a escravidão, supostamente abolida pela Princesa Isabel, um ano antes do primeiro golpe militar para instituição da República, em 1889.Chegou a 188, apenas em 2021, o número de trabalhadores resgatados no estado, após terem sido confirmadas as condições de submissão semelhantes às de séculos atrás, quando as pessoas negras eram mantidas em cativeiro para valer como mercadorias e ajudar a produzir a riqueza de seus proprietários.Não está descartada a possibilidade de um grupo maior, uma vez terem os efeitos da pandemia produzido maiores dificuldades, com recuo nas ações de equipes de fiscalização, devido aos cuidados para evitar contágio por Sars-Cov-2 e variantes.Os escravos contemporâneos são forçados a jornadas de até 16 ou 18 horas, com rápidos intervalos para refeições breves, sem consistência nutricional, em situação análoga à do início da Revolução Industrial, quando os meios de acúmulo de capital passaram a prevalecer sobre a dignidade humana, característica predominante desde então na mecânica da economia.Outras coincidências relacionadas à superexploração consistem na ausência de folgas e férias, imposição de isolamento, ameaças e violência, além de oferta de água impura e alojamentos infestados de insetos e roedores, os quais compartilham esteiras e restos de imundos colchões com os infelizes recrutados para o sacrifício do qual não conseguem escapar.Até mesmo em Salvador, foram localizados cidadãos em precaríssimas condições de labor, além dos municípios de Xique-xique, Conceição do Coité, Feira de Santana e Aracatu. As operações desenvolvidas por comissão ligada ao governo do Estado indicam a perspectiva de investimento nesta missão de combater o abuso de quem desconhece os limites de convívio, com a revelação de identidades de seus verdugos, a fim de punir com rigor e reduzir a incidência desta invencível e ancestral chaga da humanidade.