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Editorial – Inusitada desmesura

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Um dos métodos confiáveis de transmitir virtudes à cidadania é o exemplo de conduta de seu principal representante, no caso de república federativa, o seu presidente eleito, no entanto, não se pode considerar Jair Bolsonaro um bom guia na gestão de recursos.
Considerando corretos os dados divulgados pelo jornal O Globo, teria o Chefe de Estado alguma dificuldade em usar com devida cautela o cartão corporativo com o qual faz seus gastos pessoais, em momento contrastante às graves dificuldades da população.
Em vez do esperado equilíbrio, para um homem na sua posição, pode-se demonstrar inusitada desmesura ao exceder em 18,8% as contas dos antecessores, faltando 11 meses para encerrar o mandato, com boa probabilidade de superar sua própria falta de limite.
A movimentação de R$ 29,6 milhões não leva em conta os 31 dias de janeiro, embora registre pagamentos em dezembro de R$ 1,5 milhão da família presidencial, divertindo-se nas férias em Santa Catarina, quando meio milhão de brasileiros sofria com temporais.
O valor é o mais alto, em só mês, dos três anos da gestão, somados os números dos dois cartões permanentemente sob poder do contumaz gastador. O recordista no comportamento consumista esteve perto de alcançar a marca dos R$ 12 milhões nas despesas de 2021, ano de pandemia, no qual grande parte dos cidadãos enfrentava o sofrimento da insegurança alimentar, incluindo as crianças e os idosos.
Poderia ser atribuída, no mínimo, uma falta de empatia e solidariedade, agravada para quem exerce tão importante posto, invertendo a liderança afirmativa pelo extravio, com suspeita de desperdício, dado o exagero revelado pela Imprensa.
Embora não seja exigido, por lei, alegando-se questão de segurança, a apresentação do extrato referente a suas transações, caberia moralmente a iniciativa de explicar-se, evitando ação do Tribunal de Contas da União com este objetivo.