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Nove em cada 10 pequenos negócios já aderiram ao Pix

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Com pouco mais de 1 ano de
funcionamento no Brasil, o Pix rapidamente se tornou uma das principais
ferramentas para o comércio tanto online quanto presencial. Pesquisa feita pelo
Sebrae, com dados de novembro de 2021, constatou que nove em cada 10 pequenos
negócios já aderiram ao Pix. Nesse cenário, não estar adaptado aos métodos de
pagamento digital pode trazer grandes dificuldades, seja para a finança da sua
empresa, seja para a própria experiência do cliente.
Isabel Ribeiro, gerente adjunta da
Unidade de Gestão Estratégica do Sebrae Bahia e conselheira do Conselho
Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA), explica que “a tendência é
realizarmos todas as formas de transações via smartphones. É um sistema mais
barato que uma taxa de cartão, não onera o consumidor e pode ser usado 24 horas
por dia”.
 Outras vantagens apontadas por Isabel
são as da segurança sanitária e física. “A pandemia da Covid-19 nos trouxe esse
aprendizado: Quantos riscos corremos por manusear cédulas e moedas que circulam
por milhares de mãos?  E por outro lado,
quantos bancos físicos se tornaram alvo de assaltos violentos atualmente?
Embora cybercrimes também possam acontecer, transações digitais representam
agilidade e elevação de segurança física”, enfatiza a gerente do Sebrae.
 A adesão ao sistema é crescente. Na
pesquisa anterior do Sebrae, de agosto de 2021, a porcentagem de pequenas
empresas que utilizavam o Pix era de 77%. Isabel explica que, para transações à
vista, o Pix se tornou o método mais vantajoso pelo fato do dinheiro entrar
instantaneamente e sem intermediações com taxas. “Para os comerciantes que
estão aportando o crédito, há riscos envolvidos no uso intenso de parcelamento
e agendamento”, diz.
 A LeLa Delícia Saudável é uma empresa
delivery de venda de refeições e lanches saudáveis que se adaptou aos
pagamentos digitais, em especial ao Pix, para facilitar as demandas de seus
clientes. Rafaela Franchi, sócia da empresa, conta que o maior benefício do
sistema foi a diminuição das tarifas e burocracias: “Muitas vezes tínhamos que
ter conta em vários bancos para deixar mais acessível para o cliente, então com
o Pix isso é mais interessante”.
 Inserção digital
 Em relação ao segmento de delivery de
modo geral, Rafaela acredita que as empresas não inseridas no digital podem
ficar para trás, e isso em relação a tudo que envolve os canais de compra e
venda. “Tem que estar extremamente adaptado às novas formas de pagamento e aos
meios de comunicação para entrar em contato com o cliente”, destaca.
 A sócia da LeLa complementa: “Hoje
muitas vezes o cliente está sem dinheiro físico, então a gente busca deixar o
mais fácil possível para ele, principalmente na hora de pagar. Porque se não
aceitam Pix, por exemplo, fica uma coisa muito restrita e acaba buscando outras
opções. Então é deixar o leque de possibilidades aberto” e ir se adaptando aos
novos métodos que surgem.
 Até novembro de 2021, quando
completou 1 ano de funcionamento, o Pix já havia movimentado um montante
acumulado de R$ 623 bilhões, de acordo com informações do Banco Central (BC).
Dentre os setores que mais aderiram ao sistema estão os serviços de alimentação
(94%) e empresas ligadas à beleza (93%). E mesmo nas duas categorias menos
adaptadas, o uso do Pix é expressivo: 71% do setor de serviços empresariais aceitam
o pagamento. O número é de 79% para o setor de energia.
 Bruno Thomaz é presidente da Câmara
de Dirigentes Lojistas Jovens de Salvador (CDL Jovem), entidade que reúne
empreendedores jovens para projetos específicos para o público. Em sua visão,
essa importância do Pix para o comércio é explicada porque ele vem substituindo
as outras formas de pagamento à vista, como dinheiro físico, cartão de débito
ou boleto.
 “E isso principalmente através das
compras pelas redes sociais como Whatsapp e Instagram. São aprovados de forma
instantânea, não precisa mais do prazo de compensação bancária que leva até 72
horas para ser efetivado, então você consegue agilizar o pagamento para as
empresas e para o cliente”, explica Bruno.
 E todas essas mudanças também
impactam positivamente na experiência do cliente: “O caixa sempre foi um
gargalo na hora da compra porque tem que ir para lá e geralmente fazer um
cadastro. Então é notório que, por não ter burocracia ou demora, o Pix traz um
ganho muito grande porque transmite mais confiança e deixa o cliente
satisfeito. Com isso, às vezes você consegue fazer vendas adicionais, então
também alavanca o consumo com certeza”, comenta Bruno.
 Além do cargo na CDL Jovem, Bruno
também é lojista, sócio da empresa Oito Baby, focada em móveis infantis.
“Estamos no online há uns 7 anos e desde a chegada do Pix a aceitação foi bem
rápida, até porque é uma demanda dos consumidores justamente para ter opção de
efetuar as compras”, fala.
 Bruno acredita que a tendência é de
cada vez mais sofisticação do uso da ferramenta: “Já tem empresas com modalidade
de Pix parcelado, que é debitado em conta. É uma tendência forte que vem por
aí. Não vai substituir o cartão de crédito por exemplo, eles vão trabalhar em
paralelo, mas com certeza o Pix ainda vai ter alguns desdobramentos”.
 E desde novembro do ano passado,
funções como Pix Saque e Pix Troco passaram a funcionar no país, mas a adesão
ainda é baixa. A gerente adjunta do Sebrae reforça porém que há espaço para o
crescimento dessa adesão, pois são ferramentas que agilizam os processos.
Apesar disso, pode demorar um pouco mais para engatar, pois algumas pessoas
“ainda ficam com dificuldades de aderir às transações monetárias digitais”.
 *Sob supervisão da editora Cassandra
Barteló